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Onde estão as pessoas de verdade?

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Por professor Álvaro Capute, bacharel em Ciências Humanas Nunca conheci ninguém que admitisse ter levado uma porrada da vida. Ao menos, não publicamente, não de forma franca, despida de vaidade. Todos os rostos que cruzam meu caminho, todos os nomes que ecoam nas conversas de ocasião, parecem ter vivido trajetórias impecáveis. São campeões de si mesmos, vencedores em tudo o que se propuseram, intocáveis em suas posturas, virtuosos em seus relatos. E eu… tantas vezes vil, tantas vezes mesquinho, tantas vezes humano. Em tempos onde a imagem se sobrepõe à essência, a perfeição se tornou a única narrativa possível. Nas redes sociais, nos encontros sociais, nos corredores profissionais, não há espaço para quem tropeça, para quem erra, para quem revela suas fragilidades sem disfarce. Todos carregam, orgulhosos, o escudo de suas conquistas e o silêncio conveniente sobre suas derrotas. Como se confessar um erro, uma covardia, um ato mesquinho, fosse pecado capital. Como se admitir a imperfeiçã...

Estamos a salvo? Uma reflexão sobre orgulho religioso

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Por professor Álvaro Capute, bacharel em Ciências Humanas Ao longo da história, diferentes povos e tradições religiosas acreditaram possuir privilégios espirituais baseados em sua origem, raça ou religião. Essa ideia de predestinação e superioridade espiritual por herança foi comum em muitas culturas antigas e, de certo modo, ainda persiste em nossos dias sob diferentes formas. No entanto, desde o início de sua pregação, João Batista — reconhecido precursor moral de Jesus — combateu abertamente esse tipo de ilusão. Um dos momentos mais emblemáticos dessa postura aparece no Evangelho de Mateus 3:9, quando João dirige palavras duras aos fariseus e saduceus, representantes religiosos da elite judaica, dizendo: “Não pensem que podem dizer uns aos outros: ‘Estamos a salvo, pois somos filhos de Abraão’. Isso não significa nada, pois eu lhes digo que até destas pedras Deus pode fazer surgir filhos de Abraão.” Esta passagem, muitas vezes lida de forma superficial, carrega uma lição profunda, a...

O cansaço como condição humana patológica da modernidade

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Por professor Álvaro Capute, bacharel em Ciências Humanas A "sociedade do cansaço" é um conceito elaborado pelo filósofo Byung-Chul Han que se propõe a diagnosticar a condição patológica da modernidade ocidental, marcada por uma autoexploração intensa e um excesso de positividade. Em seu ensaio homônimo, Han contrapõe a sociedade disciplinar, em que o controle externo se fazia presente por meio da repressão, à sociedade do desempenho, na qual a pressão para a autossuperação e a busca incessante por resultados se impõem como imperativos internos. Segundo o autor, essa transformação não só eleva o nível de exigência sobre o indivíduo, mas também elimina a função contida da negatividade – que permitia a regulação dos impulsos –, resultando em um desgaste psíquico generalizado. No mundo do trabalho, a sociedade do cansaço se manifesta por meio de jornadas prolongadas e da hiperconectividade, fatores que conduzem ao burnout e a outras disfunções psicológicas. O modelo neoliberal a...

Limitarismo econômico: você sabe o que é isso?

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Por professor Álvaro Capute, bacharel em Ciências Humanas O limitarismo econômico é uma proposta que tem ganhado destaque no debate contemporâneo sobre a concentração de riqueza e seus impactos sociais. Esse conceito defende a imposição de um teto para a acumulação de recursos individuais, argumentando que, além de um certo patamar, a riqueza adicional não contribui significativamente para o bem-estar pessoal, mas reforça desigualdades que podem comprometer a democracia e os direitos humanos. Na prática, a ideia central é evitar que a concentração excessiva de capital em poucas mãos torne a sociedade mais desigual e fragilize os mecanismos democráticos. Defensores dessa proposta, como a filósofa Ingrid Robeyns, sugerem que limitar a riqueza pode ser uma forma de promover a redistribuição de recursos para áreas essenciais, como educação, saúde e infraestrutura, que beneficiariam a coletividade. A argumentação é de que, para indivíduos que já possuem recursos suficientes para uma vida di...

Carnaval, falso moralismo e intolerância religiosa

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Por professor Álvaro Capute, bacharel em Ciências Humanas O Carnaval brasileiro, uma das maiores expressões culturais do país, tem sido alvo crescente de ataques de setores cristãos conservadores, sobretudo entre católicos tradicionalistas e neopentecostais. Justificado sob discursos de moralidade e proteção dos “valores cristãos”, esse fenômeno reflete uma longa tradição de intolerância religiosa e tentativas de censura cultural. A ofensiva contra a festa não apenas reforça preconceitos históricos, especialmente contra religiões afro-brasileiras, como também levanta questionamentos sobre os limites entre fé, liberdade de expressão e laicidade do Estado. Nos últimos anos, diversos episódios evidenciaram esse embate. Em 2018, a escola de samba Estação Primeira de Mangueira desfilou com duras críticas ao então prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. A crítica à gestão municipal do Carnaval gerou reações inflamadas, e Crivella c...

A violência no Brasil: uma realidade insuportável

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Por Álvaro Capute, professor e Bacharel em Ciências Humanas A violência no Brasil é um problema estrutural e complexo, que afeta milhões de brasileiros diariamente e reflete a desigualdade social, a falta de políticas públicas eficazes e a fragilidade do sistema de segurança. Em 2023, o país ainda figurava entre os mais violentos do mundo, com uma taxa alarmante de homicídios. Embora tenha ocorrido uma leve redução no número de mortes violentas, a situação continua grave, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. De acordo com o 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil representa cerca de 10% dos homicídios globais, embora tenha apenas 3% da população mundial. A desigualdade é um dos principais motores dessa violência. As periferias urbanas, em especial, são os locais mais afetados, com altas taxas de homicídios e crimes relacionados ao tráfico de drogas e a disputas territoriais entre facções criminosas. Cidades como Salvador, Fortaleza e Recife estão entre as mais vio...

Fake news: Brasil no topo da desinformação

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Por professor Álvaro Capute, bacharel em Ciências Humanas Você sabia que o Brasil é o país que mais sofre para identificar fake news? Um estudo recente da OCDE mostrou que apenas 54% dos brasileiros conseguem distinguir uma notícia verdadeira de uma falsa. Esse é o pior desempenho entre 21 países analisados! Fake news, ou notícias falsas, são informações criadas para enganar, manipular ou confundir. Elas podem parecer inofensivas, mas têm um impacto gigantesco na sociedade. Eleições, vacinas, saúde mental, tudo pode ser afetado quando acreditamos em mentiras e as espalhamos. O estudo também revelou algo preocupante: as redes sociais são o principal campo para a desinformação. No Brasil, mais de 85% das pessoas buscam notícias no Instagram, Facebook, TikTok ou WhatsApp. O problema? Essas plataformas nem sempre verificam se as informações são verdadeiras, e muitos compartilham sem checar. Agora compare: na Finlândia, que lidera o ranking, 66% da população consegue identificar fake news. ...