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Espiritismo: Imperfeições físicas e sofrimento após a morte

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Por Professor Álvaro Capute, bacharel em Ciências Humanas A afirmação de Allan Kardec no livro O que é o Espiritismo? , segundo a qual os Espíritos, ao desencarnarem, libertam-se das imperfeições físicas, mas conservam as imperfeições morais, constitui um dos fundamentos mais relevantes da concepção espírita sobre a natureza humana, a evolução espiritual e a responsabilidade moral. Longe de ser apenas uma observação circunstancial, essa afirmação expressa uma síntese doutrinária que articula antropologia espiritual, ética, pedagogia existencial e racionalidade filosófica, revelando o caráter profundamente educativo do Espiritismo. Ao distinguir entre imperfeições físicas e imperfeições morais, Kardec estabelece, primeiramente, uma separação clara entre aquilo que pertence ao organismo material e aquilo que pertence à essência espiritual. As imperfeições físicas — como dores, enfermidades, limitações orgânicas e fragilidades biológicas — são próprias do corpo e resultam das leis natura...

Pensamento crítico: a perspectiva sociológica sobre a compreensão da realidade e a transformação social

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Por Professor Álvaro Capute      Para a Sociologia, o pensamento crítico é uma capacidade fundamental que permite aos indivíduos compreenderem a realidade social para além das aparências imediatas, das explicações superficiais e dos discursos prontos que circulam no cotidiano. Trata-se de uma forma de reflexão sistemática, fundamentada e consciente, que busca analisar os fenômenos sociais considerando seus contextos históricos, econômicos, políticos e culturais. Pensar criticamente, nesse sentido, não significa apenas discordar ou questionar por hábito, mas desenvolver a habilidade de investigar, interpretar e avaliar informações com rigor, responsabilidade e autonomia intelectual.      Do ponto de vista sociológico, o pensamento crítico nasce da compreensão de que a sociedade não é natural nem imutável, mas construída pelos próprios seres humanos ao longo da história. As normas, os valores, as instituições, as tradições e os costumes são resultados de proc...

Consciência Política - Parte 1: Democracia

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Por Álvaro Capute, professor e Bacharel em Ciências Humanas A democracia é, antes de tudo, uma conquista civilizatória. Ela não nasceu pronta, tampouco foi um presente concedido por governantes benevolentes. A democracia é fruto de lutas, resistências e sacrifícios de gerações inteiras que ousaram sonhar com um mundo em que a liberdade, a justiça e a igualdade não fossem apenas palavras bonitas, mas realidades concretas na vida das pessoas. Para compreendê-la em sua profundidade, é preciso entender que democracia não se reduz a um sistema de governo ou a um modelo político — ela é, sobretudo, uma cultura de convivência, um modo de viver e se relacionar com o outro dentro da sociedade. Em termos simples, a democracia é o regime em que o poder pertence ao povo. A própria palavra vem do grego demos (povo) e kratos (poder ou governo). Portanto, democracia significa literalmente “governo do povo”. Na prática, isso quer dizer que as decisões que afetam a coletividade devem ser tomadas com a ...

A ilusão do Empreendedorismo e o esvaziamento dos Direitos Trabalhistas

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Por Álvaro Capute , professor e Bacharel e Ciências Humanas     Você já ouviu alguém dizer que a solução para seus problemas financeiros está em "empreender"? Que basta força de vontade, criatividade e foco para vencer na vida? Esse discurso, hoje tão difundido por influenciadores digitais, cursos motivacionais e até campanhas governamentais, está longe de ser inocente. Ele alimenta um ideal de autonomia que, na prática, vem servindo para justificar precarização, insegurança e sobrecarga emocional . Por trás da imagem do "empreendedor de sucesso", que venceu as dificuldades sozinho, está uma narrativa perigosa: a de que os trabalhadores não precisam mais de direitos, sindicatos ou leis protetivas — precisam apenas de “atitude”. Mas será mesmo? Os direitos trabalhistas não são burocracias atrapalhando o progresso. São instrumentos que, ao longo da história, surgiram para proteger o ser humano do desgaste físico, psicológico e social provocado por um sistema econômic...

Onde estão as pessoas de Verdade?

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Por Álvaro Capute, professor e Bacharel em Ciências Humanas Nunca conheci ninguém que admitisse ter levado uma porrada da vida. Ao menos, não publicamente, não de forma franca, despida de vaidade. Todos os rostos que cruzam meu caminho, todos os nomes que ecoam nas conversas de ocasião, parecem ter vivido trajetórias impecáveis. São campeões de si mesmos, vencedores em tudo o que se propuseram, intocáveis em suas posturas, virtuosos em seus relatos. E eu… tantas vezes vil, tantas vezes mesquinho, tantas vezes humano. Em tempos onde a imagem se sobrepõe à essência, a perfeição se tornou a única narrativa possível. Nas redes sociais, nos encontros sociais, nos corredores profissionais, não há espaço para quem tropeça, para quem erra, para quem revela suas fragilidades sem disfarce. Todos carregam, orgulhosos, o escudo de suas conquistas e o silêncio conveniente sobre suas derrotas. Como se confessar um erro, uma covardia, um ato mesquinho, fosse pecado capital. Como se admitir a imperfei...

Estamos a salvo? Uma reflexão sobre orgulho religioso

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Por Álvaro Capute, professor e Bacharel em Ciências Humanas Ao longo da história, diferentes povos e tradições religiosas acreditaram possuir privilégios espirituais baseados em sua origem, raça ou religião. Essa ideia de predestinação e superioridade espiritual por herança foi comum em muitas culturas antigas e, de certo modo, ainda persiste em nossos dias sob diferentes formas. No entanto, desde o início de sua pregação, João Batista — reconhecido precursor moral de Jesus — combateu abertamente esse tipo de ilusão. Um dos momentos mais emblemáticos dessa postura aparece no Evangelho de Mateus 3:9, quando João dirige palavras duras aos fariseus e saduceus, representantes religiosos da elite judaica, dizendo: “Não pensem que podem dizer uns aos outros: ‘Estamos a salvo, pois somos filhos de Abraão’. Isso não significa nada, pois eu lhes digo que até destas pedras Deus pode fazer surgir filhos de Abraão.” Esta passagem, muitas vezes lida de forma superficial, carrega uma lição profunda,...