Onde estão as pessoas de verdade?
Por professor Álvaro Capute, bacharel em Ciências Humanas Nunca conheci ninguém que admitisse ter levado uma porrada da vida. Ao menos, não publicamente, não de forma franca, despida de vaidade. Todos os rostos que cruzam meu caminho, todos os nomes que ecoam nas conversas de ocasião, parecem ter vivido trajetórias impecáveis. São campeões de si mesmos, vencedores em tudo o que se propuseram, intocáveis em suas posturas, virtuosos em seus relatos. E eu… tantas vezes vil, tantas vezes mesquinho, tantas vezes humano. Em tempos onde a imagem se sobrepõe à essência, a perfeição se tornou a única narrativa possível. Nas redes sociais, nos encontros sociais, nos corredores profissionais, não há espaço para quem tropeça, para quem erra, para quem revela suas fragilidades sem disfarce. Todos carregam, orgulhosos, o escudo de suas conquistas e o silêncio conveniente sobre suas derrotas. Como se confessar um erro, uma covardia, um ato mesquinho, fosse pecado capital. Como se admitir a imperfeiçã...