Estamos a salvo? Uma reflexão sobre orgulho religioso
Por professor Álvaro Capute, bacharel em Ciências Humanas Ao longo da história, diferentes povos e tradições religiosas acreditaram possuir privilégios espirituais baseados em sua origem, raça ou religião. Essa ideia de predestinação e superioridade espiritual por herança foi comum em muitas culturas antigas e, de certo modo, ainda persiste em nossos dias sob diferentes formas. No entanto, desde o início de sua pregação, João Batista — reconhecido precursor moral de Jesus — combateu abertamente esse tipo de ilusão. Um dos momentos mais emblemáticos dessa postura aparece no Evangelho de Mateus 3:9, quando João dirige palavras duras aos fariseus e saduceus, representantes religiosos da elite judaica, dizendo: “Não pensem que podem dizer uns aos outros: ‘Estamos a salvo, pois somos filhos de Abraão’. Isso não significa nada, pois eu lhes digo que até destas pedras Deus pode fazer surgir filhos de Abraão.” Esta passagem, muitas vezes lida de forma superficial, carrega uma lição profunda, a...